Antes de ativar o modo aleatório do meu WMP, eu desconhecia que The Smiths é uma banda que me deprime, que paro o que estou fazendo só pra ouvir letras do Chico, que ainda não consigo ouvir Detonautas da mesma maneira que antes e que sentia saudades de ouvir Radiohead – fazendo tributo aos tempos de ensino médio e a Kérol.
Antes disso, eu posso afirmar que me conhecia bem menos. Ignorava que clicar em “próxima” era tão excitante, que Bob Dylan ocupa parte considerável do meu HD e que outra grande parte são só de músicas nacionais, de reflexão ou não, mas que dispensam refrões prontos. E até teimo em pausar a execução da playlist de fim não definido pra não perder nenhum detalhe oculto de mim mesma enquanto me ausento dos fones.
Play, pause, repeat. Antes do modo aleatório, eu não usava comandos, auto controle eu tirava de letra e não sofria com as surpresas das mudanças de humor. Ouvir um álbum do começo ao fim, enjoar, ouvir outro, enjoar, e denovo. Enjoar pra sempre, até o modo aleatório. Eu não ficava com raiva por não gostar da próxima música, não ficava possessa com os “traks 01, 02, 03″ de autor desconhecido e não torcia pra próxima canção ser AQUELA canção.
Agora que tomei ciência de que o Modo Aleatório me tirou todo o sossego, só me resta descobrir se me apaixonei por ele ou pelo dano causado.
E vou dar play na playlist.
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